26/08/12

Representas?

Mantens a pose de actriz inconsequente
Que esconde o mal de tantas almas
Serás o exemplar perfeito da encenação
Pois não largarás esse papel até à morte.

Viver dentro desse corpo será difícil.
Persegues o sonho que está por realizar,
Pensar será sempre mais duro que existir
Fazes a tua existência um jogo de representar

Sonhando alivias os passos que estão por dar
Sorris irreflectidamente ao sabor da realidade
Escondes as mágoas que te consomem
Somente não perdes essa pose que te faz brilhar.

16/08/12

Filosofia de bolso III

"As derrotas são a base de todas as vitórias futuras" - DH

24/07/12

Negro

Trabalharás sempre o negro
Até ao derradeiro final dos teus dias
Darás chance à cor
Mas será sempre o negro que une o teu corpo

Tornando uno
O que nunca passou de pedaços
Fragmentos instáveis de ti próprio

Espécime unido por tons
Onde o peito negro inflama de prazer
Sonhar nunca foi errado
A cor meramente serviu para te conhecer

Mantém o génio que pulsa nos teus passos
Pose de actor inconsciente
Espelho desse olhar de criança perdida
Fruto de um sonho inacabado.


Para a grande Mozie, ninguém o merece a não ser ela.

LY <3

17/07/12

Antítese

Quero mais a cada dia
Sonharei cada vez menos
Ilusões são somente factos
Dar outros passos como gostaria

Caminho em direcção a nada
Quiçá este nada seja tudo.
Será aquele brilho nos meus olhos
Chama livre dos meus pensamentos?

Corro cada vez mais atrás de mim
Passos já não os dou há muito
“Não sei”, são as palavras do passado

Futuro, por agora, é um “talvez”,
Com menores riscos de sofrimento
Metáfora era saber que não vivi
Antítese será fugir destes medos.

03/07/12

Lua

Dás vida a hora errada
A quem por crença não a merece
Iluminas existências trocadas
Marcas quem terá de sofrer

Iluminas destinos negros
Dás alento a tantas almas
Só por ti muitos querem viver
Com o nada que tens para oferecer

Esse nada elevado ao divino
Imutável e sem sentido.
Conheces tão as fases
Deste tão turbulento trilho

Mantém essa chama de prata acesa
Queima os olhos de quem só deseja luz
Aos que perseguem sombras defensivas

Pois a felicidade não está em toda a parte.
Construí-la faz parte do processo.
Faz da lua o teu guia
Aprende a fechar os olhos a essa agonia.

Sonho sem rumo.

Toldei este caminho
Nos passos loucos de um sonho
Caí, sem uma mão para me levantar
Sofri, sem lágrimas para libertar

Ajudei a fénix a renascer
Das duras cinzas da morte
Construí esta sorte.
Soltei-me das rédeas da fantasia.

Trilhei os novos passos deste rumo
Ciente de tantas falhas naturais
Resultado destas marcas imortais
Mas o sonho, permanece meu.

Louco, compulsivo e turbulento
Carregado de fragmentos incoerentes,
Tal como tudo aquilo que escrevo
E aquilo que está por escrever

Sigo esta viagem na faixa do risco
Caindo fatalmente desamparada.
Porém, escolhi escrever por conforto.

É somente o conforto da minha alma.
Transcendência elevada ao infinito,
Sonho sem rumo.

02/07/12

5.

Parece que foi ontem.
A última vez que perguntei por ti, que pensava em visitar-te, mas temia ver-te lentamente a morrer ou tinha sempre algo mais urgente para fazer. Não me conformei, e creio que vou demorar ainda muito tempo a conformar-me. Sinto uma culpa tremenda dentro de mim, um grito que não consigo calar, uma dor sufocante. 
Não consigo descrever o momento em que soube, em que as lágrimas sufocavam a tua filha, e eu, que em frente ao computador me rendia ao completo choque que assolou a minha cara e a minha alma. Não acreditei, ainda não acredito. Era dia 12 de Março, um dia por natureza triste, em que a tristeza já era natural e absolutamente espontânea. Agora ainda mais.
Lembro-me que estive 48h sem dormir, a tua imagem não me saia da cabeça, a tua voz não se desprendia dos meus tímpanos. E aquela pergunta “Porquê?”, acompanhava cada volta que dava na cama, cada lágrima que engolia para não acordar ninguém.
Assumo que não aceito a tua ausência, para mim é como se ainda cá estivesses, e eu sei que estás. Estás dentro do meu peito, a manter as nossas melhores memórias vivas, e mesmo as menos boas.
Dói-me saber que nunca chegaste a saber que me vou embora, que fui aceite numa boa faculdade, que passei de ano, que fiz das tripas coração para atingir os meus objectivos. Custa-me saber que não estás aqui fisicamente, que não ouvirei a tua voz frágil dizer o meu nome. Choro cada vez que penso em ti, cada vez que baixo a cara e fujo do assunto, mesmo que não deixe soltar as lágrimas, elas escorrem interiormente.
Fazes-me falta, e eu assumo que cometi erros brutais, mas nunca te esqueci, somente fui demasiado egoísta para aceitar a tua partida, que continuo sem aceitar. Não te esqueço, e a cada vitória minha, um pedacinho será sempre teu, porque nunca te esquecerei, mesmo que tentem que o faça.

16/06/12

End of story.

Desde já desculpem-me se alguma vez fui arrogante, se demonstrei o meu mau-feitio, se alguma vez vos fiz mal de alguma maneira. Tem as suas razões, cujos motivos de tão fortes não vos poderei explicar, e também prefiro que fiquemos assim.

Passei 3 belos anos a vosso lado, com conflitos, brigas, risos e choros, mas sempre lá estava alguém para apoiar quem precisava. Deram-me as melhores memórias que poderia ter, desde os ataques de riso espontâneos da Patrícia, as piadas do Sousa, e as frases históricas do Pina. As nossas aulas guardam grandes histórias, as melhores de todas. São todos pessoas enormes, impossíveis de descrever, no melhor sentido das palavras. Guardarei positivamente um pouco de vocês todos na minha memória. Nunca fomos a melhor turma, não eramos unidos, tínhamos todos um defeito, mas nunca ninguém poderá dizer que não se divertiu connosco. 

Ao fim deste belo ciclo, gostava de vos agradecer por tudo o que de bom e mau me vão deixar na memória, pela boa disposição, pela amizade, por me terem acolhido tão bem, assim como eu vos acolhi a vocês.

Obrigado por serem todos, as pessoas que são, e desejo-vos o melhor que vocês possam fazer por vós.
Vão deixar saudades, marcaram a minha vida e todo o meu rumo. Vou sentir a vossa falta.

Para sempre LH!

12/06/12

Redoma

Virgindade da infância
Laço que se quebra com saudade
Caminho que trilharás até ao fim

Ao fim desta existência
Repleta de tudo o que quiseres
Sonhos ou promessas
Ligações que a verdade não esquece

Perdeste a tua cedo demais
Rendeste-te à redoma da melancolia
Fado triste que escreve a tua história
Garra de ser maior que a monotonia

Entreguei-me a ti,
Inocência que já não me guias,
Acendes a candeia de realidade.
Venero-te, antes que seja tarde.

Somente mais um.

Barulho louco da incoerência
Vã ilusão de tranquilidade
Somente te criaste desta forma
Opaco e fugitivo da realidade

Penso que sonhas demais
Tornando difícil o agradável
Loucura de ser tão fraca a vontade

Apaga os trilhos que vais percorrendo,
De modo a ninguém os repetir.
Feitos de erros e tristezas
Filhos da chuva que está para vir.

Dissipa a sombra pesada que te assombra
Escuridão que nos é tão comum
És o filho pródigo da saudade.
Eu serei somente mais um.