12/09/11

Saudades

Que saudades que terei
Desta nuvem de fantasia
De todo este tempo que esperei
Para alcançar este dia

As saudades que vou ter
De tudo aquilo que ultrapassei
Daquilo que rapidamente se vai perder
Mas serão essas as memórias que guardarei

Quando esse dia chegar
O dia em que a saudade vai emergir
Em que as primeiras lágrimas se vão soltar
Saberei que valeu a pena não desistir

Saberei que viver já não é uma ilusão
Que esta luta nunca foi inglória
Pois ao não dar margem a esta solidão
Pude escrever esta página da minha história

24/06/11

O dia em que um pulso fez toda a diferença

Dia 3 de Junho de 2011, aula de Educação Física, estava com um par de patins nos pés, algo invulgar, mas que não me motiva. Aula de avaliação daquela modalidade, avaliação oficial feita, mas as notas não me agradaram, logo resolvi treinar e querer fazer melhoria. Estava a treinar, um movimento simples, mas que se tornou demasiado complicado para este ser com sérios problemas de equilibrio, uma rotação, para andar de costas, nada difícil. Mas, na última tentativa de treino, pois só restava uma pessoa para a minha vez, inexplicávelmente caio redonda no chão, em slow-motion como são todas as minhas quedas. Cai,e numa tentativa de evitar bater com a cabeça no chão coloco as mãos para amparar a queda, resultado, 47 quilos em bruto sobre o meu pulso esquerdo. Estendida no chão, começo a rir-me enquanto percebia que cair de frente me faz sentir extremamente mal, agarrei-me ao pulso, que já inchava, e levantei-me. Miraculosamente, só duas pessoas perceberam que me tinha estatelado no chão. Fui em direcção ao professor, e disse, que cai e que me doia o pulso, tive de por gelo. Mas julgava que não era nada de especial e não me preocupei apesar de ter o pulso extremamente inchado, e me doer, fui à aula seguinte. Inglês. Por sorte iamos ver um filme. Sentei-me, e duas alminhas caridosas, decidiram enfernizar-me a cabeça para que fosse ao hospital, coisa que me recusava a fazer. Mas fui. Saí da sala. Papéis tratados com a escola, vou em direcção ao Centro de Saúde desta vilazinha. Ao contrário do que era previsível, foram bastante rápidos a atender-me. Carta de emergência para a minha cidade berço, Caldas. E aquele pulso inchado a doer. Chegamos a Caldas, e 3 horas depois, fiz o raio-x que aquela carta de emergência solicitava. Mais duas horas para saber os resultados. Tinha uma contusão, o que é isso? Não faço ideia. O médico mete-me um bocado de gesso no braço. E tive de fazer aquela figura durante uma semana. E por este pulso, por aquela queda, a minha nota não foi outra, não tive maneira de fazer melhor figura. Aquele dia fez a diferença, mudou a minha maneira de ver o meu pulso, e a minha aparente falta de equilibrio para as quedas frontais.

Ode aos Falsos

A todos aqueles que acreditem
Que a vida não tem sentido
Que quando algo lhes dói mentem
Para vocês o meu respeito não será conseguido

Aos que pensam que respirar é um dilema
Que julgam que a falsidade é um recurso
Pois as falhas são o seu maior problema
E dão ao seu cinismo o pior uso

As vossas lágrimas não significam nada
São pura infantilidade
Daquela máscara que vos está pregada
A máscara da cruel e vil falsidade

Para vós nem o ódio é suficiente
É um sentimento que vos dá orgulho
Pois é sinal que não nos passam indiferentes
Mas ter-vos conhecido é algo de que não me orgulho

Obrigado por serem como são
A prova viva que as máscaras não caem em vão
Àquela que mais me ensina a dizer não
A esta falsidade que tanto nos maltrata o coração.

Aqui jaz

Um dia
A quando da minha morte
Escreverão esta melodia
Para o vento que vem do norte

Aqui jaz quem se perdeu
Que não viveu como devia
Alguém que sempre sofreu
E que quase ninguém conhecia

Aqui jaz quem viveu por acaso
Quem não sentiu a doçura da vida
Mas por outro lado
Ninguém via a dor como ela via

Aqui jaz, fria e serena
Uma pessoa que desejava a morte
Que se julgava pequena
Mas que não viveu marcada pela sorte

Aqui jaz, ainda
Quem fez da escrita um refúgio
Da sua amarga e dura crueldade

Viveu com medo
Emoções, raivas e paixões
Como se a vida a tratasse com desprezo

Aqui jaz
Jaz, e por fim já não regressa
Deixou a sua dor para trás
E partiu feliz pois cumpriu a sua promessa

14/05/11

Simplesmente um sonho

Carregavas uma rosa vermelha na mão
Com um soberbo ar de menino bonito
Parecias um anjo que abria qualquer coração
E desfolhavas a rosa, por achares divertido

De repente surgi eu
A pessoa por quem ansiosamente esperavas
Quando vi que o teu sorriso se abriu
Entendi que eras tu quem me procurava

Sentaste-te, sorriste e disseste:
“Mana, vem cá, há algo que te quero dizer”
Fui com o passo controlado e reticente
Pois não entendia o que estava acontecer

Disseste-me para ser forte
Por ser capaz e porque o merecia
Que devia confiar mais na sorte
E que quem me fez mal sofreria

Nesse preciso momento acordei
Vi que tudo não era mais do que um sonho
Sendo tão relevante facilmente o recordei
Pois a minha mente retém o que eu escolho

Gostava que fosse realidade
Este sonho que a minha mente idealizou
Acalmou a dor que sinto de verdade
Pois a tua presença muito me marcou.
Nem todo o mais belo som
Se transforma numa doce melodia
Ilumina o que julgo ser fantasia
De ver o mal como algo bom

Aquilo que vejo como sol
Nem sempre é a luz de um dia
Demonstra como a minha vida é um anzol
Que me arrasta para esta filosofia

Tudo o que vejo como lua
Vejo revelada pela noite
A que para sempre será tua
Pois a luz tornou-te diferente

Porque nem sempre o que vês
Se torna em realidade
Simplesmente és inundado com os seus porquês

És arrastado para a ilusão
De veres tudo de um modo diferente
Daquilo que na verdade, não passa de mera ficção.

12/05/11

"O silêncio das minhas palavras é suprimido pelo alarido do meu olhar" - DH

10/05/11

Camaradas da Luta.

Após uma óptima prestação em Dusseldorf, fomos eliminados. Confesso que no fundo estava preparada, mas a chama nacionalista mantinha a convicção de que poderíamos chegar à final desta espécie de concurso de música, onde este vocábulo é seriamente colocado em casa. Assisti à cerimónia, e fiquei a pensar, mas que raio é isto? Música? Onde? Uma senhora, que era a imitação da nossa Wanda Stuart, mas com o cabelo vermelho. Três músicas cuja melodia era extremamente interessante, mas quando os cantores abriram a goela, este ser ficou com um ar tipo: que é isto? Até fiquei estúpida com aquilo. As únicas coisas decentes que vi naquele concurso, foram três, a Rússia, pela boa voz do cantor (o único que falava inglês decentemente) e pela sua beleza, a Finlândia, pela voz do cantor, e a Suíça, pela originalidade da canção. Estão as três na final, se a memória não me atraiçoa, ao menos uma coisa de jeito. Com a não presença dos grandes Homens da Luta, não vejo esta edição da Eurovisão. Para ver um espectáculo de puro capitalismo e egocentrismo alemão, prefiro dormir la siesta ou preferia ver a Hello Kitty. E para concluir, citando a grande Mozie, e acrescentando: “Eurovisão vai à Merkel!”. Homens da Luta, sempre!

05/05/11

Máscaras

As máscaras caem
Mantendo as memórias dormentes
Tornam-se aquelas dores que me traem
Sendo as tentativas de fuga tão eloquentes

Deixam aquele negro exposto
Revelam aquilo que deveria ser secreto
Transformam o que vivia em algo morto
Tornando a vida em algo ainda mais curto

Nem todas as máscaras são más
Há as que escondem dores verdadeiras
Aquelas que vêem lá detrás
As que foram as dores primeiras

A minha máscara caiu
Mostrou o quão negro tudo em mim é
O pouco tom de incerteza sumiu
Voltando a apatia ao que inicialmente era

Perdi o que me servia de suporte
O que me protegia de todas as agressões
Não me deixa pronunciar a palavra sorte
Quer que sucumba nesta maré de sensações.

01/05/11

Mãe

Gostava de venerar-te, de encher o peito e dizer com orgulho: “Esta é a minha mãe”, mas não consigo, as tuas acções impedem-me de o conseguir fazer. Não te odeio, obviamente que não mas simplesmente não te venero como uma filha normalmente venera a sua mãe. Admiro-te sim, por me teres deixado nascer, mesmo quando te diziam para não me teres e que não queriam a minha presença, mas foste mais teimosa e cá estou eu, 17 anos passados a escrever-te estas palavras a que não darás a mais pequena importância, porque a pouca coisa do que eu faço dás importância, mesmo que seja uma boa nota na escola. Não te consigo falar docemente se as tuas palavras são mais amargas que fel, mas a culpa é sempre minha, eu é que falho, eu é que estou errada. Não consigo tolerar a tua agressividade, fica cá dentro e vai acumulando até que fatalmente explode, caindo os destroços sempre em cima de alguém que não merece, que não tem culpa de seres assim, de gritares por tudo e por nada, de seres uma autêntica besta porque não fazem o que queres. Hoje é o teu dia, não te dei um beijo, não te abracei como normalmente fazia, porque não aguento mais, não te aguento mais. Mas apesar de tudo, foste tu que me deste vida, e apesar de todas as lágrimas que me faças chorar, eu admiro-te e muito.