22/01/12

''Uma lágrima é uma amostra do passado que se liberta de ti, o passado não é mais do que uma figura de retórica, por isso a cada dia que passa vale a pena dizer: the show must go on'' - DH

03/01/12

A nossa estatística
Tem traços de metafísica
Imprudentemente prática,
Porém difícil como a matemática.

Tal como a poesia
É feita de aritmética,
Com pedaços de melodia
Que compôem a métrica

Da doce tentaçäo,
De ocultar um segredo
Escondendo a ilusäo
Em múltiplas páginas de medo,

Que escorrem tristezas e dor,
Palácios nulos em cor
Fragmentos de uma estranha ilusäo,
De näo viver a vida em väo.

31/12/11

Um dia.

Um dia, quando as palavras se esgotarem
Quando a tristeza deixar de me consumir,
E todas as letras se renderem
À vontade inglória de desistir

No instante em que, amargamente
Esta folha em branco deixar de me perseguir
Em que a melancolia intermitente
Deixará de me seduzir

Na hora em que o som näo se torne em voz
E a feroz insanidade se manifestar
Chegarei ao final atroz
De uma história que ninguém quererá contar

Pois perderei o que me dá vida
Que alimenta o sonho de viver
Será esse o sinal da partida,
O dia em que deixarei de escrever?

29/12/11

Queda

Contorno as esquinas desta rua
Onde tantas vezes deambulo sem nela reparar
Vou vivendo presa à sombra de uma lua
Que a cada passo me leva a definhar

Cada passo que vai sendo dado
Coberto de medos e sombras do passado
Fecha-me os olhos ao futuro
Leva-me pela mäo ao destino errado

Enquanto vou novamente ao fundo daquele poço
Junto com a solidäo de ser humano
Ao mesmo tempo que tanta luta e esforço
Se perde no vazio desta maré de enganos.

Porque a queda soa sempre maior
Ao ritmo em que aumentam os erros crassos
Condutores daquela dor
Espelho de derrotas e fracassos.

28/12/11

New born

Retira a máscara da melancolia
Demonstra o que te tornou nesse guerreiro
Que se rendeu à fantasia
De sentir o fim derradeiro

Transforma a dor nesse combustível,
Alimento de todas as emoçöes
Näo te tornes demasiado previsível
Virando a página a essas ilusöes

De tornares em cinzas
Todas as memórias dormentes
Enquanto definhas
Nesses sonhos eloquentes

Quando as lágrimas soltarem da cara
Levando a fútil máscara que caí,
Verás que só resta a marca
Daquela dor que de ti sai.

28/11/11

Melancolia que acendes o meu pensamento,
Arrastando a dor que me persegue
Dando vida a este eterno sofrimento
Impedindo que este ser se altere

Continuas produtiva
Mantendo acesa a chama da continuidade
De ir caminhando ao longo da vida
Esperando uma nova oportunidade

Enquanto busco algo que não tenho,
Um pouco mais do que vivi
Lamentando tudo o que perdi
Aquilo que agora é reflexo deste espelho.

Tempos de indiferença

Já não é útil pensar
Continua acesa a chama da amargura
Não importa se tudo vai terminar
Nem se esta apatia perdura

Ainda não existe razão para viver
Fugir, permanece a melhor opção
Porém não sou capaz de entender
A causa de tão grande indecisão

De viver ou morrer,
Lutar ou esquecer
Mantendo a chama da dor a arder
Vou lentamente deixando de sobreviver

Sou indiferente ao que sinto
Os impulsos voltaram a dominar
Quando penso que estou tão perto
De fazer a minha agonia terminar

Enquanto

Enquanto permaneceres em mim,
Dor de viver que me atormenta
Lutarei sem temer o fim
Acreditando que valerá a pena

Enquanto as lágrimas caírem sem cessar
E a escuridão iluminar o meu caminho
Não me deixarei abalar
Por algo que altere o meu destino

Quando a tristeza deixar de me abater
Sei que atingi a desejada meta
Saberei como é bom vencer
Que já nada me afecta.
Traços belos e eloquentes
Com um doce traço angelical
De movimentos longos e frequentes
Esta é a felicidade ideal

Carregada de luz incandescente
Brilhando intensamente todo o dia
Emanando harmonia e alegria
Espelhando de clara cor a tua vida

Apagando as lágrimas com um olhar
Deixando o vazio por completo
Ensinando que a batalha para a alcançar
Não se faz com as palavras de um verso

Porque esta felicidade é boa
Atraí fantasia e desejo
De não viver a vida à toa
Não tendo medo do que vejo
Nunca se vive por completo
Pois se está lúcido
A vida não se vive em concreto
Porque a lucidez é algo que não abunda

Não se é lúcido ao pensar
Nem quando te lembras que dói pensar
Somos lúcidos apenas
Quando estamos prestes a terminar

A lucidez é um abismo
Onde o intelecto se afunda
Já nada é discreto
Simplesmento o incompleto nos inunda.