25/02/12

Neste carnaval de negras feras
Onde cada segundo se define perpetuamente
À imagem de uma alegria desconcertante
Fruto intenso desta atmosfera

Onde almas vãs e indolentes
Escondem-se na lúcida esperança de existir,
Chama de uma existência perdida
Vida nunca antes vivida

Gritando imponentes para quem os observe
Cuja razão se transforma em nada
Consumindo a dolorosa réstia de ilusão
Que sempre os rodeou de emoção.

19/02/12

Filosofia barata

"O amor não escolhe idades, mas a tua idade é que escolhe o amor" - DH

15/02/12

Escrever

Escrever é tão somente a liberdade de existir
De desaproveitar o prazer de viver
Dando sentido às palavras ditas em vão
Fazendo magia libertando um pedaço do coração

Ao julgar ser-se livre
Porém aprisionado a uma paixão avassaladora
Simples desconstrução de um sentimento
Mera capacidade de sobreviver

Destruindo cada fragmento de dor
Ínfimos pedaços de melancolia
Por culpa de tão grande paixão
Amor a uma língua que nos agiganta.

14/02/12

Os reis.

Nesta utópica terra
Onde todos aqueles bobos da corte são reis
São fiéis reproduções de quem se julga somente
Ser sombra insípida de alguém

Onde o seu riso esconde lágrimas
Rasgos de melancolia adormecida
Vãs aspirações de felicidade
Por se julgarem vulgares sombras de ninguém

Simplesmente por não saberem viver
Não lhes terem ensinado que o amor se troca
Por breves momentos de ternura
Sensações de doce loucura.

Pois eles são reis
Julgam a esperança carta fora do baralho
Neles só reina uma amargura
Serem uma misera sombra que perdura.

12/02/12

Há uma nova vida em cada acordar, a cada dia em que este corpo se ergue na penumbra misteriosa de um novo amanhecer. Todos os dias são diferentes, o tempo não passa num ritmo tão lento, a ansiedade não nos consome tão ferozmente. Porque todos os dias há uma mudança, por mais subtil que seja, em cada acordar agitado depois de um sonho violento ou quando o sono fluiu tranquilamente, até à alvorada necessária. Ao mesmo tempo aquilo que nos rodeia se modifica diariamente, a cada instante, a cada novo passo rumo ao futuro, ao mais profundo desconhecido, em direcção àquela hipotética felicidade, a dos sonhos pacíficos, sem turbulências nocturnas, sem gritos, nem com despertares rodeados de lágrimas e aflições perturbadoras.

Esses vampiros.

Sugaram o meu sangue até a limite
Transformando-o em algo frio e amargo,
Estes vampiros que a solidão acolhe
Que guardam cada rasgo de memória que carrego

Matem-nos com estacas de felicidade
Com duros golpes de ironia e riso
Para que deles só restem
Flamejantes, e vãs cinzas de saudade

Aquele sangue que se vai tornando doce
Fruto de uma inconsciente mudança
De um sonho tão louco
Da qual me recusava a acordar

O sonho de sofrer
De levar ao limite esta dor que tenho
Tentando permanecer triste
Tornando-me em algo demasiado estranho

Estes vampiros de solidão e penumbra
Onde tantas vezes julgava ser feliz
Não eram mais que sombra
Eram tão somente ilusões de aprendiz.
''Duas palavram podem mudar o mundo, mas o meu mundo mudou com uma só palavra'' - DH

04/02/12

''Por vezes a vida é como um jogo de xadrez, mais vale sacrificar um peão e ser a rainha que controla um jogo do que dar um passo em direcção ao xeque mate fatal.'' - DH
Que saudades, da emoção de jogar, de nem sequer saber os movimentos, do esforço e do sabor da vitória. Xadrez toujours.

22/01/12

''Uma lágrima é uma amostra do passado que se liberta de ti, o passado não é mais do que uma figura de retórica, por isso a cada dia que passa vale a pena dizer: the show must go on'' - DH

03/01/12

A nossa estatística
Tem traços de metafísica
Imprudentemente prática,
Porém difícil como a matemática.

Tal como a poesia
É feita de aritmética,
Com pedaços de melodia
Que compôem a métrica

Da doce tentaçäo,
De ocultar um segredo
Escondendo a ilusäo
Em múltiplas páginas de medo,

Que escorrem tristezas e dor,
Palácios nulos em cor
Fragmentos de uma estranha ilusäo,
De näo viver a vida em väo.