14/05/11

Nem todo o mais belo som
Se transforma numa doce melodia
Ilumina o que julgo ser fantasia
De ver o mal como algo bom

Aquilo que vejo como sol
Nem sempre é a luz de um dia
Demonstra como a minha vida é um anzol
Que me arrasta para esta filosofia

Tudo o que vejo como lua
Vejo revelada pela noite
A que para sempre será tua
Pois a luz tornou-te diferente

Porque nem sempre o que vês
Se torna em realidade
Simplesmente és inundado com os seus porquês

És arrastado para a ilusão
De veres tudo de um modo diferente
Daquilo que na verdade, não passa de mera ficção.

12/05/11

"O silêncio das minhas palavras é suprimido pelo alarido do meu olhar" - DH

10/05/11

Camaradas da Luta.

Após uma óptima prestação em Dusseldorf, fomos eliminados. Confesso que no fundo estava preparada, mas a chama nacionalista mantinha a convicção de que poderíamos chegar à final desta espécie de concurso de música, onde este vocábulo é seriamente colocado em casa. Assisti à cerimónia, e fiquei a pensar, mas que raio é isto? Música? Onde? Uma senhora, que era a imitação da nossa Wanda Stuart, mas com o cabelo vermelho. Três músicas cuja melodia era extremamente interessante, mas quando os cantores abriram a goela, este ser ficou com um ar tipo: que é isto? Até fiquei estúpida com aquilo. As únicas coisas decentes que vi naquele concurso, foram três, a Rússia, pela boa voz do cantor (o único que falava inglês decentemente) e pela sua beleza, a Finlândia, pela voz do cantor, e a Suíça, pela originalidade da canção. Estão as três na final, se a memória não me atraiçoa, ao menos uma coisa de jeito. Com a não presença dos grandes Homens da Luta, não vejo esta edição da Eurovisão. Para ver um espectáculo de puro capitalismo e egocentrismo alemão, prefiro dormir la siesta ou preferia ver a Hello Kitty. E para concluir, citando a grande Mozie, e acrescentando: “Eurovisão vai à Merkel!”. Homens da Luta, sempre!

05/05/11

Máscaras

As máscaras caem
Mantendo as memórias dormentes
Tornam-se aquelas dores que me traem
Sendo as tentativas de fuga tão eloquentes

Deixam aquele negro exposto
Revelam aquilo que deveria ser secreto
Transformam o que vivia em algo morto
Tornando a vida em algo ainda mais curto

Nem todas as máscaras são más
Há as que escondem dores verdadeiras
Aquelas que vêem lá detrás
As que foram as dores primeiras

A minha máscara caiu
Mostrou o quão negro tudo em mim é
O pouco tom de incerteza sumiu
Voltando a apatia ao que inicialmente era

Perdi o que me servia de suporte
O que me protegia de todas as agressões
Não me deixa pronunciar a palavra sorte
Quer que sucumba nesta maré de sensações.

01/05/11

Mãe

Gostava de venerar-te, de encher o peito e dizer com orgulho: “Esta é a minha mãe”, mas não consigo, as tuas acções impedem-me de o conseguir fazer. Não te odeio, obviamente que não mas simplesmente não te venero como uma filha normalmente venera a sua mãe. Admiro-te sim, por me teres deixado nascer, mesmo quando te diziam para não me teres e que não queriam a minha presença, mas foste mais teimosa e cá estou eu, 17 anos passados a escrever-te estas palavras a que não darás a mais pequena importância, porque a pouca coisa do que eu faço dás importância, mesmo que seja uma boa nota na escola. Não te consigo falar docemente se as tuas palavras são mais amargas que fel, mas a culpa é sempre minha, eu é que falho, eu é que estou errada. Não consigo tolerar a tua agressividade, fica cá dentro e vai acumulando até que fatalmente explode, caindo os destroços sempre em cima de alguém que não merece, que não tem culpa de seres assim, de gritares por tudo e por nada, de seres uma autêntica besta porque não fazem o que queres. Hoje é o teu dia, não te dei um beijo, não te abracei como normalmente fazia, porque não aguento mais, não te aguento mais. Mas apesar de tudo, foste tu que me deste vida, e apesar de todas as lágrimas que me faças chorar, eu admiro-te e muito.

13/04/11

Dura forma de viver

Sinto dores por coisas irrelevantes
Por ser fraca ou por não ser
Conheço uma nova dor a cada instante
Desta minha dura forma de viver

Carrego a desdita do azar
Sufocada por ligeiros travos de sorte
Tenho por imposição de manter este ar
De quem deseja ferozmente a sua morte

No sentido de desaparecer
Não sendo indiferente à tristeza de quem ficaria
Simplesmente acho que não sou digna de viver
Com esta dor que aumenta a cada dia

Por mais igual que mostre ser
Aqui dentro bate algo flamejado de tristeza
Já nem sequer me consigo reconhecer
Só querendo que esta melancolia desapareça

Deixei de saber o que é viver
No momento em que esta colossal dor me atingiu
Perdi aquela força de não querer mais sofrer
Pus de lado a felicidade que se extinguiu

Filosofia do ataque

Quando a vida te soar dura
Ataca
Vais sentir-te envolvido numa neblina escura
Mas nunca demonstres parte fraca

Por vezes será um erro
A vítima não será a adequada
Cobrindo-te num manto de medo
Porque, por vezes atacamos a pessoa errada

É esta a minha filosofia
O meu estranho modo de agir e pensar
Magoo por erro em demasia
Não fazendo nunca esta filosofia cessar

Joga ao ataque para fugir à defesa
Embora sendo mais doloroso
Traz consigo aquela certeza
De que um ataque certo será proveitoso

10/04/11

Um novo adeus

Digo adeus desta vez
Aos sonhos que não passam de fantasia
Aqueles que escondia na timidez
De encarar o mundo com alegria

Faço uma vénia ao passado
Cumprimento com ar sarcástico o futuro
Fazendo parecer que o presente me passa ao lado
Imaginando tudo isto como um tiro no escuro

E vou dizendo adeus
Àquilo que nos atordoa
Que a modesta idade escondeu
Porque sabe o quanto nos magoa

Levanto a cabeça
Na ilusão de estar bem alto
Levo a que a minha mente se esqueça
Pois agora já nem vale a pena dar aquele salto

Este é o adeus final e derradeiro
Apesar de pensar que nunca chegaria
Talvez seja este o sonho verdadeiro
O de crer que esta fase se concluía

Fecho já com saudade a cortina
Daqueles sonhos que julgava serem meus
Dissipo as memórias numa doce neblina
E digo-lhes com certeza um suave adeus.

O único poema da minha autoria de que gostei realmente.
Não sei simplesmente porque.

Portugal

Localizado no extremo da Europa
Rodeado de mar e de rios navegáveis
Onde impera o fado e o grito de revolta
Devido a estas condições tão instáveis

Por aqui o futuro tornou-se incerto
Não revelando o que o amanhã nos trará
Vou assistindo a tudo tão de perto
Ao abismo a que esta politica nos levará

Estudar hoje é um dilema
Ficando nós alunos sem saber como pensar
Sem saber se vale a pena
Lutar para um melhor futuro alcançar

Quem não tem dinheiro
Não estuda porque não há necessidade
Ficando por concretizar o sonho verdadeiro
Pois ninguém vive do ar estando numa Universidade

Já nem a cultura lhes importa
Tal é a mentalidade capitalista
Agora que temos o FMI a tocar à porta
Talvez aquela mentalidade se revele realista

Perdeu-se também o sentido de uma revolução
Estamos todos apáticos e sem vontade
A riqueza nunca se revelou tanto uma ilusão
E todos os sonhos já estão esquecidos por necessidade.

07/04/11

"Por mais que na batalha se vença a um ou mais inimigos, a vitória sobre a si mesmo é a maior de todas as vitórias." Sakyamuni

Da Alexandra, a Dona Miguelinha, para mim.
Embora não tenha conseguido travar a batalha, vou fazendo renascer a vontade de me vencer.