04/10/14

Ce soir

J'aimerais pleurer ce soir. 
Je voudrais profiter de l'effet cathartique des larmes, mais je n'arrive pas. 
Je voudrais condenser ma douleur dans une larme, concentrer ma souffrance dans un soupir. Je n'arrive pas.
J'essaye, mais cet état d'hypothétique joie a effacé ma capacité de pleurer, même si quelqu'un m'a fait du mal, même si mon cœur est brisé ce soir, les larmes n'écoulent pas dans mon visage. 
Mais je souffle encore, je relève la tête, et je donne le prochain pas. 
Peut être qu'un jour mes larmes puissent écouler et faire disparaître cette douleur qu'est en moi aujourd'hui.


O primeiro (de muitos, quem saberá), na língua de Molière. 

19/08/14

#2

Onde estás quando chega a hora? 
A hora do sussurro poético convergir em bela prosa. Tentas ignorar, deixar que aquela compilação de lemas se apague da tua mente. 
Mudas a tua história a cada frase que não exteriorizas, a cada vez que não agarras o caderno e recitas. 
Cada frase que perdes, cada rima que não escreves, é a batalha do teu corpo contra esta escrita que vicia. Que conduz passo a passo para uma vida melhor, o Homem que loucamente canta a noite que o ilumina, conta a história de tantas vidas nas páginas de um caderno, onde vai condensando o resultado da luta eterna, a de deixar tudo na mente, ou marcar para sempre as páginas da sua vida.

18/08/14

#1

Vou deixar esta tristeza no outro lado da porta, a vida é curta, eu em passo rápido, e por mais que o evite, caminho de mãos dadas com o erro. A vida é uma viagem, eu perdi-lhe o rumo, passa como um avião, e eu caminho, mesmo a solo, mas sempre em contra-mão, perdi tanto, ganho pouco, e erro muito, contudo sei que nenhuma escolha foi em vão. 

11/07/14

Sem nexo.

Derramei tantas palavras, 
Nas páginas deste caderno.
Passagens das longas horas, 
Em que vagueava pelo inferno.

Onde somente as palavras 
Eram o abrigo da loucura, 
A lua cheia que iluminava
As minhas noites tão escuras.

06/06/14

Frases avulsas.

No meu quarto tenho uma janela virada para o mundo. A minha vida é uma hora, os meus sonhos vagos segundos.

12/05/14

A solidão a que nos votamos

No silêncio desta estrada vamos conhecendo a solidão, aquela que paralelamente é uma boa companheira, a que escuta, mas também é o teu carrasco, o que te condena à frieza de sentimentos. A estrada parece longa, os obstáculos intransponíveis, mas nós vamos sempre caminhando, fazendo da rotina um aliado, o único escape daquele sofrimento que está dentro de ti.

07/04/14

Serei eu?

Tenho este copo meio cheio de nada
As noites seguem frias, e eu perco-me na madrugada
Quem diria que deste céu se faz a vida
Queria-me sem esta história, sem anseios de partida

Teria menos chance para recolocar esta máscara,
Este tempo? De não passar tornou-se insignificante
E tudo aquilo que me resta é a saudade
De uma dor doente, perturbadora, mas real

Não desta inercia que me mata a cada segundo
Sinto-me em casa, mas será este o meu mundo?
Será a verdadeira razão que fervilha no meu peito?
Será este o real fervor da ausência do defeito?

Queria puder responder à questão.
Se a vida fosse uma história, eu seria a ficção?
Seria o mito do herói falhado, do poeta vencido

Do escritor errado?

23/02/14

Eu não leio livros. Eu vivo-os. Não os devoro. Sinto-os como cada pulsação do meu corpo. E por instantes sinto-me noutra realidade,  sendo actriz numa história que não me pertence mas onde me inseri sorrateiramente.
Se eu não lesse, talvez não escreveria. Se não falasse, quiçá não sentiria todas estas histórias dentro da minha história.

04/02/14

Hiato

A página em branco continua a ser o meu pior drama. Esse e o da falta de capacidade para escrever. Em tempos que já passaram, olhava estes momentos como uma nova forma de puder vir a escrever. De continuar a expressar em palavras aquilo que não vão passando de simples momentos fantasiados pelo meu intelecto. Mas desta vez observo o chão balançar debaixo dos meus pés, o que julgava porto seguro, hoje é um castelo de cartas numa mesa de maus acabamentos, que se vai sustentando, mas balança a cada movimento imprudente. Como um dependente preciso da minha pequena dose de escrita, que nestas ultimas semanas se limitou a escrita elementar para aqueles que estão tão próximos e tão longe. Procuro mais e preciso de mais. Qual será o dia em que este monstro que há dentro de mim vai acordar desta hibernação do hiato? 

18/09/13

1 Ano Depois.

À velocidade da luz passou-se o primeiro ano de ausência.  Um ano marcado por muita coisa nova, muita coisa diferente. Toda a minha raiz ficou na minha pátria, mas não me arrependi de partir.
Ainda recordo as lágrimas daquele dia, 15 de setembro de 2012, quando após abraçar a minha mãe e a minha melhor amiga pela última vez, entrei naquele carro vermelho que me conduziu ao aeroporto, e à viagem que certamente mudou a minha vida. Recordo as lágrimas que derramei quando senti o avião descolar da terra, enquanto a minha mente dizia "um dia voltarei para ser feliz".
Lembro-me da emoção dos primeiros dias, da pressão de falar uma língua que não era a minha, de estar num lugar que ainda não julgava meu.
Vou sempre lembrar-me do meu primeiro dia de universidade, da primeira aula, do primeiro contacto com os colegas que se tornaram na minha segunda família. Não fui, nem sou um exemplo de aluna, mas consegui. Facto que me enche do mais puro orgulho.
Neste ano conheci a experiência de adquirir conhecimento em estado puro, conhecimento das áreas que mais me fascinam, que me fizeram perceber que não poderia ter escolhido melhor. Mesmo tendo mudado a opção inicial, é ao bater com a cabeça que se aprende.
Conheci a experiência da entrada no mercado de trabalho.
Conheci pessoas que vão fazer parte da minha existência até ao seu fim, outras em que a passagem foi tão instantânea que não retive qualquer dado.
Neste ano, aprendi muita coisa, conheci-me da melhor maneira possivel, lutei para atingir os objectivos que me tinha proposto, não fracassei.
Sinto todos os dias falta de todos aqueles que deixei, tenho saudades das gargalhadas, dos momentos em que os nadas eram tudo. Dava tudo para vos ter aqui comigo, não um dia, mas todos os dias. Mas não se esqueçam que partir foi uma opção,  não uma obrigação. Sinto a vossa falta, mas aqui sei que sou feliz,  mesmo com todos os problemas.
Um ano depois, a portuguesa mau-feitio, virou estrangeira aos olhos da sua pátria, mas não perdeu a vontade de ser feliz.