30/06/13

Os meus olhos são o espelho dos meus sentimentos, a minha boca o puro reflexo da minha alma. O meu corpo suporta somente o peso de todas as circunstâncias, carrega o semblante negro de tudo o que passou por mim. Anteriormente limitava-me a existir, a deambular entre passos tortuosos, a caminhar em ruas negras como os meus pensamentos, como tudo aquilo que o meu coração reflectia. Actualmente, sorrio a cada instante, abri as portas da luz que ocultava, por sublimes esgares sorridentes. Não esqueci, não deixei de lado todo o mal que inunda o meu ser, apenas aprendi a evitá-lo. Mudei, quiçá cresci. Poderei dizer que compreendi o mistério de viver. Foi duro, foi suficiente o sofrimento para lá chegar. Mas aprendi, e não poderia ter mais orgulho disso.

27/06/13

Orages

Vivemos do lado de cá do espelho,
O lado que sente vibra, vive.
Ao contrário do lado absurdamente estático
Reflexo da imagem do que fomos,

Pois um reflexo espelha o anterior,
Os instantes momentâneos do passado.
Não o sonho motor,
Nem as lágrimas escondidas do pecado.

10/06/13

Hoje é o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (por último mas não menos importante). Não costumo ter grandes manifestações de nacionalismo, ainda assim tenho imenso orgulho de ser portuguesa, fico f***** quando me perguntam se sou espanhola, mas hoje é um dia especial. É 10 de Junho, o dia de todos aqueles que são orgulhosamente portugueses (e dos que embora sem orgulho o sejam), habitualmente não celebrava este dia efusivamente, mas estou num contexto diferente, estou longe do meu país, longe da pátria que considero minha, longe das gentes que falam a língua que tanto amo. Celebrei o dia da forma que pude, com um belo café Delta, sendo as primeiras palavras do meu dia na nossa bela língua. Não me esqueço do que sou, nem de onde venho. Se há desejo que levarei até ao caixão é o de falecer em solo luso e falando a língua de Portugal, honrando Camões e todos os outros génios literários que fazem parte da minha essência. Desde sempre, e para sempre je suis fière d’être portugaise (e escrevi isto noutra língua para demonstrar que é possível viver naturalmente no meio de duas línguas sem esquecer as origens, basta ter vontade).

http://www.youtube.com/watch?v=ZDFMGq21h4g

05/06/13

Tudo o que de mim restar,
Ficará no túmulo da minha consciência.
As memórias, os segredos.
Somente algumas das minhas palavras vão perdurar.

As que ficaram presas nas folhas do tempo,
Aos fragmentos visíveis do que sou.
Do que fui, do que padeço,

Tudo o que sou e permaneço. 

03/06/13

Vamos juntos percorrer o caminho dos sonhos
Do outro lado da estrada da vida
A vida de cor e fantasia,
Demasiado irrisória para ser vivida

Caminhemos pelo lado da solidão,
Das cores escuras, do medo
E acredita que em breve chegaremos
Aos trilhos da felicidade sem preço

Deixemos os fracos caminhar pela luz
Enquanto caminhamos ao sabor do fado
Destino triste?

Não, este é o rumo jamais trilhado.

29/05/13

Resisti a muito

Esta nuvem de fumo que me contorna
Abrindo os horizontes do passado
Resisti a muito,
Permanecendo a navegar peço tempo de agora

Ao meu lado está algo frio
Inerte como a sombra que me perseguia
Resisti a muito,
Contudo vou seguindo nos passos do amanhã

O tempo vai caminhando a meu lado
Inundando-me com tudo o que passou
Resisti,
E sei que nada do que fiz foi errado

Limitei-me a perseguir a realidade
Expoente máximo do que quer que seja
Resisto à ignóbil sombra que me invade

 Porque não chamar a tudo isto felicidade?

10/05/13

Ser em estado puro

Nas noites cintilantes cujo céu violeta deste lugar me envolve, vou crescendo. Vou aprendendo a cada olhar a admirar este céu inigualável, diferente de todos aqueles que alguma vez tive hipótese de ver. Este tom confere-lhe uma mística incomparável, que poucos apreciam, vantagens de que o meu ócio beneficia. Será este o céu dos sonhos que nunca me consumiam, que pela sua imponência o intelecto não deixou apagar? Será talvez a distância a dizimar-me aos poucos, ou a habituação a tornar-se num vício embutido na pele. Creio que seja tudo isso e muito mais, possivelmente tratar-se-ão dos tons da descoberta, do renascimento para uma realidade até então escondida por detrás da máscara fixa ao meu rosto. Quem sabe se agora não esteja a ser em estado puro, a criar realidades improváveis, a existir na sua plenitude. Estarei diferente, mesmo não o aparentando, pois as revoluções sempre se iniciam mentalmente, e eu mudei. Mas o meu coração não deixou de ser o mesmo.

09/05/13

E vou escrevendo.

Escrevo em noites sem luar
Na penumbra dos meus pensamentos
Não por vergonha ou medo
Mas por crer que a minha forma de pensar
Reflecte tantas vezes o meu tormento

Em noites de lua cintilante
Rendo-me à contemplação de cada instante
Sofrimento, vício?
A lua somente revela o meu lado mais brilhante

Poderia descrever essas noites com mil e uma palavras
Porem a principal luta da minha existência
Pende-se entre deixar tudo na minha mente
Ou gravá-lo na posteridade do papel

São noites, dias, alguns minutos, tantas horas
Onde a fusão do raciocínio desabrocha numa folha
Instantes onde a transformação de passa interiormente
E vou escrevendo.

E vou escrevendo…

09/04/13

Cidade em Movimento

Este barulho ensurdecedor
Que me guia e não confunde
Concede-me o aval de criador,
e a vontade que a tantos ilude.

Sonhos seriam a perspectiva de muitos,
Contudo é a nua realidade que me constrói
Serás a criação de uma ilusão,
Ou dura sentença que te destruiu.

Procuro a luz onde estariam as sombras,
O silêncio numa cidade em movimento
Serás tu que me crias?
Serás algo que me perturbe?

22/03/13

Aquela rotina assassinava todos os dias daquela criança. Todos os dias iguais. Estáticos, como aquela melodia que lhe invadia os ouvidos ao acordar – o bip louco do despertador que a retirava atrozmente do mundo dos sonhos. Decidiu arriscar na diferença – deixar aquele despertador tocar para o vazio – e nem sequer ousou abrir os olhos. E ele tocou, durante uma hora, em intervalos passageiros de 10 minutos, até parar. E aí ela saiu triunfalmente da cama, ignorando o relógio, ignorando todo aquele tempo que a condicionava. Era um dos dias mais completos em termos de aulas, não a preocupou, tinha duas provas, nem quis saber. Só queria aproveitar a liberdade de um dia diferente, sem rotinas. Aproveitou aquele dia para fazer tudo o que não fazia – correr, sonhar, pensar. Sobretudo pensar. Porque os seus dias eram feitos de rotinas e não de pensamentos. E o despertador tocou, e na mente dela surgiam pensamentos. Em estado puro. Verdadeiros como ela.

Atelier de escrita, 22\03\2013, Université Paris-Sorbonne.

Muito obrigada meninos, por me ajudarem a quebrar o gelo da insegurança, e revelar a melhor parte de mim. LLCE Portugais toujours!