Que este momento dure para sempre, que as lágrimas que
derramo a cada adeus sejam fruto do meu sucesso, e não do meu regresso sem
partida. Que este meu eldorado permaneça intocável, onde mesmo sendo vista como
estrangeira, saberei que aqui estou realmente em casa, aqui está a parte mais
bonita da minha existência, ao mesmo tempo a dor colossal e mais verdadeira. Emigrantes
seremos muitos, mas digam-me quantos realmente aprenderam a amar um país, uma
cultura, uma língua tão resplandecente como a nossa? Digam-me quantos
escolheram a nossa língua como meio de especialização, tornando-se num
quimérico embaixador de um idioma. Não me julguem como sendo vítima de um
egocentrismo nacionalista assaz exacerbado, mas como uma mera defensora daquilo
que lhe pertence, nunca por obrigação, mas por um concreto direito obviamente
irrefutável. Nasci pequena, com uma pronúncia característica da região que me
fez gente, com o dialecto da vila que me fez mulher. Sinto falta daquele
cantinho ermo onde a mesquinhez era constante, mas sei que aquele território
sempre será meu, e lá sim é o meu Portugal.
"A principal dúvida de toda a minha existência será entre deixar tudo na minha mente ou passá-lo para o papel" - DH
03/08/13
18/07/13
30/06/13
Os meus olhos são o espelho dos meus sentimentos, a minha
boca o puro reflexo da minha alma. O meu corpo suporta somente o peso de todas
as circunstâncias, carrega o semblante negro de tudo o que passou por mim. Anteriormente
limitava-me a existir, a deambular entre passos tortuosos, a caminhar em ruas
negras como os meus pensamentos, como tudo aquilo que o meu coração reflectia. Actualmente,
sorrio a cada instante, abri as portas da luz que ocultava, por sublimes
esgares sorridentes. Não esqueci, não deixei de lado todo o mal que inunda o
meu ser, apenas aprendi a evitá-lo. Mudei, quiçá cresci. Poderei dizer que
compreendi o mistério de viver. Foi duro, foi suficiente o sofrimento para lá
chegar. Mas aprendi, e não poderia ter mais orgulho disso.
27/06/13
Orages
Vivemos do lado de cá do espelho,
O lado que sente vibra, vive.
Ao contrário do lado absurdamente estático
Reflexo da imagem do que fomos,
Pois um reflexo espelha o anterior,
Os instantes momentâneos do passado.
Não o sonho motor,
Nem as lágrimas escondidas do pecado.
O lado que sente vibra, vive.
Ao contrário do lado absurdamente estático
Reflexo da imagem do que fomos,
Pois um reflexo espelha o anterior,
Os instantes momentâneos do passado.
Não o sonho motor,
Nem as lágrimas escondidas do pecado.
10/06/13
Hoje é o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (por último mas não menos importante). Não costumo ter grandes manifestações de nacionalismo, ainda assim tenho imenso orgulho de ser portuguesa, fico f***** quando me perguntam se sou espanhola, mas hoje é um dia especial. É 10 de Junho, o dia de todos aqueles que são orgulhosamente portugueses (e dos que embora sem orgulho o sejam), habitualmente não celebrava este dia efusivamente, mas estou num contexto diferente, estou longe do meu país, longe da pátria que considero minha, longe das gentes que falam a língua que tanto amo. Celebrei o dia da forma que pude, com um belo café Delta, sendo as primeiras palavras do meu dia na nossa bela língua. Não me esqueço do que sou, nem de onde venho. Se há desejo que levarei até ao caixão é o de falecer em solo luso e falando a língua de Portugal, honrando Camões e todos os outros génios literários que fazem parte da minha essência. Desde sempre, e para sempre je suis fière d’être portugaise (e escrevi isto noutra língua para demonstrar que é possível viver naturalmente no meio de duas línguas sem esquecer as origens, basta ter vontade).
http://www.youtube.com/watch?v=ZDFMGq21h4g
http://www.youtube.com/watch?v=ZDFMGq21h4g
05/06/13
03/06/13
Vamos juntos percorrer o caminho dos sonhos
Do outro lado da estrada da vida
A vida de cor e fantasia,
Demasiado irrisória para ser vivida
Caminhemos pelo lado da solidão,
Das cores escuras, do medo
E acredita que em breve chegaremos
Aos trilhos da felicidade sem preço
Deixemos os fracos caminhar pela luz
Enquanto caminhamos ao sabor do fado
Destino triste?
Não, este é o rumo jamais trilhado.
29/05/13
Resisti a muito
Esta nuvem de fumo que me contorna
Abrindo os horizontes do passado
Resisti a muito,
Permanecendo a navegar peço tempo de agora
Ao meu lado está algo frio
Inerte como a sombra que me perseguia
Resisti a muito,
Contudo vou seguindo nos passos do amanhã
O tempo vai caminhando a meu lado
Inundando-me com tudo o que passou
Resisti,
E sei que nada do que fiz foi errado
Limitei-me a perseguir a realidade
Expoente máximo do que quer que seja
Resisto à ignóbil sombra que me invade
Porque não chamar a
tudo isto felicidade?
10/05/13
Ser em estado puro
Nas noites cintilantes cujo céu violeta deste lugar me envolve, vou crescendo. Vou aprendendo a cada olhar a admirar este céu inigualável, diferente de todos aqueles que alguma vez tive hipótese de ver. Este tom confere-lhe uma mística incomparável, que poucos apreciam, vantagens de que o meu ócio beneficia. Será este o céu dos sonhos que nunca me consumiam, que pela sua imponência o intelecto não deixou apagar? Será talvez a distância a dizimar-me aos poucos, ou a habituação a tornar-se num vício embutido na pele. Creio que seja tudo isso e muito mais, possivelmente tratar-se-ão dos tons da descoberta, do renascimento para uma realidade até então escondida por detrás da máscara fixa ao meu rosto. Quem sabe se agora não esteja a ser em estado puro, a criar realidades improváveis, a existir na sua plenitude. Estarei diferente, mesmo não o aparentando, pois as revoluções sempre se iniciam mentalmente, e eu mudei. Mas o meu coração não deixou de ser o mesmo.
09/05/13
E vou escrevendo.
Escrevo em noites sem luar
Na penumbra dos meus pensamentos
Não por vergonha ou medo
Mas por crer que a minha forma de pensar
Reflecte tantas vezes o meu tormento
Em noites de lua cintilante
Rendo-me à contemplação de cada instante
Sofrimento, vício?
A lua somente revela o meu lado mais brilhante
Poderia descrever essas noites com mil e uma palavras
Porem a principal luta da minha existência
Pende-se entre deixar tudo na minha mente
Ou gravá-lo na posteridade do papel
São noites, dias, alguns minutos, tantas horas
Onde a fusão do raciocínio desabrocha numa folha
Instantes onde a transformação de passa interiormente
E vou escrevendo.
E vou escrevendo…
Na penumbra dos meus pensamentos
Não por vergonha ou medo
Mas por crer que a minha forma de pensar
Reflecte tantas vezes o meu tormento
Em noites de lua cintilante
Rendo-me à contemplação de cada instante
Sofrimento, vício?
A lua somente revela o meu lado mais brilhante
Poderia descrever essas noites com mil e uma palavras
Porem a principal luta da minha existência
Pende-se entre deixar tudo na minha mente
Ou gravá-lo na posteridade do papel
São noites, dias, alguns minutos, tantas horas
Onde a fusão do raciocínio desabrocha numa folha
Instantes onde a transformação de passa interiormente
E vou escrevendo.
E vou escrevendo…
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