09/05/13

E vou escrevendo.

Escrevo em noites sem luar
Na penumbra dos meus pensamentos
Não por vergonha ou medo
Mas por crer que a minha forma de pensar
Reflecte tantas vezes o meu tormento

Em noites de lua cintilante
Rendo-me à contemplação de cada instante
Sofrimento, vício?
A lua somente revela o meu lado mais brilhante

Poderia descrever essas noites com mil e uma palavras
Porem a principal luta da minha existência
Pende-se entre deixar tudo na minha mente
Ou gravá-lo na posteridade do papel

São noites, dias, alguns minutos, tantas horas
Onde a fusão do raciocínio desabrocha numa folha
Instantes onde a transformação de passa interiormente
E vou escrevendo.

E vou escrevendo…

09/04/13

Cidade em Movimento

Este barulho ensurdecedor
Que me guia e não confunde
Concede-me o aval de criador,
e a vontade que a tantos ilude.

Sonhos seriam a perspectiva de muitos,
Contudo é a nua realidade que me constrói
Serás a criação de uma ilusão,
Ou dura sentença que te destruiu.

Procuro a luz onde estariam as sombras,
O silêncio numa cidade em movimento
Serás tu que me crias?
Serás algo que me perturbe?

22/03/13

Aquela rotina assassinava todos os dias daquela criança. Todos os dias iguais. Estáticos, como aquela melodia que lhe invadia os ouvidos ao acordar – o bip louco do despertador que a retirava atrozmente do mundo dos sonhos. Decidiu arriscar na diferença – deixar aquele despertador tocar para o vazio – e nem sequer ousou abrir os olhos. E ele tocou, durante uma hora, em intervalos passageiros de 10 minutos, até parar. E aí ela saiu triunfalmente da cama, ignorando o relógio, ignorando todo aquele tempo que a condicionava. Era um dos dias mais completos em termos de aulas, não a preocupou, tinha duas provas, nem quis saber. Só queria aproveitar a liberdade de um dia diferente, sem rotinas. Aproveitou aquele dia para fazer tudo o que não fazia – correr, sonhar, pensar. Sobretudo pensar. Porque os seus dias eram feitos de rotinas e não de pensamentos. E o despertador tocou, e na mente dela surgiam pensamentos. Em estado puro. Verdadeiros como ela.

Atelier de escrita, 22\03\2013, Université Paris-Sorbonne.

Muito obrigada meninos, por me ajudarem a quebrar o gelo da insegurança, e revelar a melhor parte de mim. LLCE Portugais toujours!

21/03/13

Há dias em que o sol invade a nossa mente, outros em que a penumbra brilha no nosso olhar, nenhum dia será igual ao outro. Não exigas de ninguém aquilo que nem mesmo tu sejas capaz de fazer, render-te ao cinismo fácil, a pré-formatação dos teus sentimentos. Não tens de ser o centro das atenções todos os dias, não tens de ser um poço cínico de simpatia, tens de ser tu próprio. Exige isso de ti, e de quem faz parte da tua vida, pode ser pouco, mas os teus dias ganham outra cor. - DH

12/03/13

One year later...

Não me saíste do pensamento, e duvido que alguma vez saías. Neste ano em que vivenciei as maiores conquistas da minha existência, estiveste mentalmente em todas as pequenas e grandes vitórias. Terminei triunfalmente uma das batalhas mais importantes para um aluno, o Secundário, e avancei em direcção a um novo rumo, a faculdade, num outro país, e não poderia estar mais feliz da minha decisão. Já passaram 6 meses desde que fechei a porta do meu paraíso português e embarquei rumo às terras da Gália. Arrepender-me? Nunca. Por mais difícil que tenha sido a adaptação, foi conseguida, e vai sendo construída ao longo dos dias que vão passando. Com ela aprendi a sentir o sabor da saudade em estado puro, aquela saudade tão amarga, mas tão portuguesa.  Um ano depois ainda sinto a tua falta, ainda sinto o choque de quando soube que não te voltaria a rever, ainda relembro todas as lágrimas que chorei, mesmo que aos olhos de outros tenham sido falsas, sem uma qualquer réstia de sentimento, mas posso afirmar que aquela que chorou diante de ti era a mesma pessoa que escreveu estas palavras, quiçá num estado mais puro, muito pouco racional. Sinto falta da tua presença, mesmo à distância, sinto falta da tua subtil preocupação de avó, que me fazia rir, que aos 12 dias do mês de Março de 2012 me fizeram chorar no silêncio de uma de muitas noites que passei em claro com a tua presença no meu cérebro consciente. Não julgues que me esqueci de ti, não julgues que deixou de doer ao falar de ti, que as lágrimas deixaram de cair. Sim, serás uma das poucas razões que me conseguem fazer chorar.  E vai continuar a fazer, pelo menos até está ferida de saudade deixar de doer. I miss you Gramma.

05/03/13

Eu nasci Portugal.

Julgo fazer parte desta geração que se crê sem nação. Onde abandonar a pátria-mãe em busca de uma nova oportunidade de vida está ao alcance de todos, contudo a vontade de partir ficou para alguns. Chamo-lhes bravos. Abandonei o meu país de sol e mar, com o desejo de um dia voltar e tentar saudar a dívida com a minha terra, a dívida de me criar, a dívida de me instruir, a dívida de me ter tornado “orgulhosamente lusa”. Gostaria somente de ter a chance de voltar ao local onde um dia nasci e ficar, não no fim do percurso dos anos que nos destruíram o corpo, mas enquanto tiver força de viver, sonhos a inundarem o meu espírito, conhecimento a rodear-me o intelecto. Nasci na pátria destinada a poucos e condenada por muitos, jamais me arrependerei de fazer parte daquela sociedade, mesmo que pequena, generosa demais e tão subserviente, nasci portuguesa, e deste país saí em busca de um novo mundo, no entanto espero um dia regressar e ver aquele meu cantinho quente e salgado marcar-me de novo a carne com os traços do seu fado, com o orgulho da nação da saudade. Fazes-me falta meu país, fazes-me falta Portugal.

13/02/13

Um alguém em conflito

Sou a real sombra destes passos
A geração espontânea de um sofrimento
Cresço a cada dia, e vou morrendo lentamente
Rendida a esta dor que me consome

O tempo gira em torno de um relógio frenético
Cronómetro desta sociedade despedaçada
Pela dormência vã e inócua
De essências sobrepostas por vulgares aparências

Mas no fim de contas quem eu sou?
Este ser que deambula no crepúsculo da existência,
Serei mais uma adepta desta melancolia arbitrária
Que ao negro cingiu o meu caminho?



Primeiro 18 do ano (a Expression Orale), primeiro "poema" de 2013.
Fim do hiato.

04/12/12

Ser tu dentro de ti próprio

Não terás nada a perder na vida, excepto tu próprio. Perderás vida a cada contratempo, a cada amargo sobressalto, a cada dor que sentires sofrerás menos, criarás escudos cada vez mais resistentes, porém a tua alma sempre se agitará consoante as ondas do teu destino. Serás muitos num só, serás único em ti próprio. Lutarás a cada dia rumo à apoteose do teu ser, farás com que cada sonho guie o teu caminho. Jamais deixarás de ser aquela criança em busca de um mundo novo, esse pequeno ser nunca deixará de guiar o bater do teu coração ao lado do adolescente que te conduz à chama da razão e da maturidade. E é exactamente assim que tombarás diante de ti, a eterna criança com o condão da maturidade. Por isso enquanto caminhas em direcção à decadência de ti próprio, luta, sonha, vive, mas nunca te esqueças de ser tu dentro de ti próprio.

13/11/12

Numa Qualquer Rua

Passeava numa qualquer rua
Quando te ouvi chamar por mim
Com gritos de dor e de pranto
Pois sabias que estaria ali

Tive receio em procurar-te,
O teu nome ainda o pronuncio
Mas já não fazes parte de mim,
Já não és como esta chuva de Outono que me anima.

Tornaste-te o inferno dos meus dias
O Verão escaldante que não tolero
Contudo ainda estás aqui.

Permaneces na sombra dos meus passos,
Sendo aquele negro que me tolda o olhar
Porque a página do passado não se virou

Regressa dor, ao esquecimento provocado
Ao lugar neutro onde permanecias
Deixa-me libertar destes fantasmas do passado,
Alcançar a estabilidade pretendida,
Ser o feliz idiota que gostaria.

Serás tu?

Não encontro a mentira nesses olhos
Transparentes como esta chuva que cai,
Negros como esta chuva que me ilumina

Encontrarei a luz numa alma difusa,
Uma razão invariavelmente transformada
Talvez me dês um pouco mais que nada

Serás tu a felicidade estanque?
A força dos passos de um novo dia,
Colírio destes olhos destruídos?
Quiçá sejas somente o meu novo paraíso.