03/10/11

Desejo-te mais do que nunca, que chegue aquele dia, aquela hora, aqueles minutos e segundos, onde deixo para trás tudo aquilo que me custa, em direcção a um novo rumo. A uma nova missão, a de transformar-me naquilo que sempre quis ser, um pouco mais do que o nada que actualmente sou. Ambiciono ser mais do que quem me apontou falhas, me empurrou para o fundo do abismo, para o profundo de mim mesma. Onde nunca quis chegar, e onde tanto tempo permaneci retida e de onde nunca quis verdadeiramente sair, porque apesar de tudo lá sentia-me bem, no meio que melhor conhecia, e não onde estou agora, a navegar pelo desconhecido, como um navegador que cruza os mares pela primeira vez. E queria partir, hoje se pudesse, para me afastar de todos os erros que cometi, de tudo o que me faz mal.

Mudar custa

Viro as páginas àquilo que dantes considerava como maior verdade, o que tornei em cinzas. Hoje só restam as lágrimas carregadas da culpa, de erros cometidos sem reflectir, com a bomba da raiva a explodir dentro de mim. Dos quais me arrependo, e enquanto vou desfolhando aquelas páginas tão bonitas que estas minhas mãos escreveram, e que a vida foi escrevendo. Sinto falta de muita coisa, simplesmente não sinto falta daquilo em que deixei o meu coração se tornar. É uma fase da mudança, a que mais custou, a que um dia bastou para tudo o que eu tinha de melhor se perder, a minha essência, o meu tudo. Mudar custa, e apesar de ser o melhor para mim, dói, arde dentro de mim fortemente. Custa-me olhar para trás e ver tudo reduzir a nada, mas a mudança consumou-se, a que eu desejava, com consequências que nunca quis, porém o homem não foi feito para ser digno daquilo que deseja.