14/05/11

Simplesmente um sonho

Carregavas uma rosa vermelha na mão
Com um soberbo ar de menino bonito
Parecias um anjo que abria qualquer coração
E desfolhavas a rosa, por achares divertido

De repente surgi eu
A pessoa por quem ansiosamente esperavas
Quando vi que o teu sorriso se abriu
Entendi que eras tu quem me procurava

Sentaste-te, sorriste e disseste:
“Mana, vem cá, há algo que te quero dizer”
Fui com o passo controlado e reticente
Pois não entendia o que estava acontecer

Disseste-me para ser forte
Por ser capaz e porque o merecia
Que devia confiar mais na sorte
E que quem me fez mal sofreria

Nesse preciso momento acordei
Vi que tudo não era mais do que um sonho
Sendo tão relevante facilmente o recordei
Pois a minha mente retém o que eu escolho

Gostava que fosse realidade
Este sonho que a minha mente idealizou
Acalmou a dor que sinto de verdade
Pois a tua presença muito me marcou.
Nem todo o mais belo som
Se transforma numa doce melodia
Ilumina o que julgo ser fantasia
De ver o mal como algo bom

Aquilo que vejo como sol
Nem sempre é a luz de um dia
Demonstra como a minha vida é um anzol
Que me arrasta para esta filosofia

Tudo o que vejo como lua
Vejo revelada pela noite
A que para sempre será tua
Pois a luz tornou-te diferente

Porque nem sempre o que vês
Se torna em realidade
Simplesmente és inundado com os seus porquês

És arrastado para a ilusão
De veres tudo de um modo diferente
Daquilo que na verdade, não passa de mera ficção.

11/05/11

"O silêncio das minhas palavras é suprimido pelo alarido do meu olhar" - DH

10/05/11

Camaradas da Luta.

Após uma óptima prestação em Dusseldorf, fomos eliminados. Confesso que no fundo estava preparada, mas a chama nacionalista mantinha a convicção de que poderíamos chegar à final desta espécie de concurso de música, onde este vocábulo é seriamente colocado em casa. Assisti à cerimónia, e fiquei a pensar, mas que raio é isto? Música? Onde? Uma senhora, que era a imitação da nossa Wanda Stuart, mas com o cabelo vermelho. Três músicas cuja melodia era extremamente interessante, mas quando os cantores abriram a goela, este ser ficou com um ar tipo: que é isto? Até fiquei estúpida com aquilo. As únicas coisas decentes que vi naquele concurso, foram três, a Rússia, pela boa voz do cantor (o único que falava inglês decentemente) e pela sua beleza, a Finlândia, pela voz do cantor, e a Suíça, pela originalidade da canção. Estão as três na final, se a memória não me atraiçoa, ao menos uma coisa de jeito. Com a não presença dos grandes Homens da Luta, não vejo esta edição da Eurovisão. Para ver um espectáculo de puro capitalismo e egocentrismo alemão, prefiro dormir la siesta ou preferia ver a Hello Kitty. E para concluir, citando a grande Mozie, e acrescentando: “Eurovisão vai à Merkel!”. Homens da Luta, sempre!

05/05/11

Máscaras

As máscaras caem
Mantendo as memórias dormentes
Tornam-se aquelas dores que me traem
Sendo as tentativas de fuga tão eloquentes

Deixam aquele negro exposto
Revelam aquilo que deveria ser secreto
Transformam o que vivia em algo morto
Tornando a vida em algo ainda mais curto

Nem todas as máscaras são más
Há as que escondem dores verdadeiras
Aquelas que vêem lá detrás
As que foram as dores primeiras

A minha máscara caiu
Mostrou o quão negro tudo em mim é
O pouco tom de incerteza sumiu
Voltando a apatia ao que inicialmente era

Perdi o que me servia de suporte
O que me protegia de todas as agressões
Não me deixa pronunciar a palavra sorte
Quer que sucumba nesta maré de sensações.

01/05/11

Mãe

Gostava de venerar-te, de encher o peito e dizer com orgulho: “Esta é a minha mãe”, mas não consigo, as tuas acções impedem-me de o conseguir fazer. Não te odeio, obviamente que não mas simplesmente não te venero como uma filha normalmente venera a sua mãe. Admiro-te sim, por me teres deixado nascer, mesmo quando te diziam para não me teres e que não queriam a minha presença, mas foste mais teimosa e cá estou eu, 17 anos passados a escrever-te estas palavras a que não darás a mais pequena importância, porque a pouca coisa do que eu faço dás importância, mesmo que seja uma boa nota na escola. Não te consigo falar docemente se as tuas palavras são mais amargas que fel, mas a culpa é sempre minha, eu é que falho, eu é que estou errada. Não consigo tolerar a tua agressividade, fica cá dentro e vai acumulando até que fatalmente explode, caindo os destroços sempre em cima de alguém que não merece, que não tem culpa de seres assim, de gritares por tudo e por nada, de seres uma autêntica besta porque não fazem o que queres. Hoje é o teu dia, não te dei um beijo, não te abracei como normalmente fazia, porque não aguento mais, não te aguento mais. Mas apesar de tudo, foste tu que me deste vida, e apesar de todas as lágrimas que me faças chorar, eu admiro-te e muito.